Sábado, 17 de Fevereiro de 2007

Noções Essenciais

Olá assíduos leitores, caros amantes da literatura!

O tempo urge, e tanto há que fazer! Começarei por recuar um pouco no tempo e analisar retroespectivamente todas as fases da minha carreira como escritor, para que possamos, então, “debater” o assunto Os Maias com a honra que merece. Para que consiga explicar-vos em pleno o teor d’Os Maias, há, pois, alguns conceitos/noções que terei que vos transmitir:

        - Todas as minhas obras podem ser, muito sinteticamente, divididas em dois grandes grupos: as que eu próprio publiquei, em vida, e as que vieram a ser publicadas após a minha morte. Os Maias situa-se no primeiro grupo, sendo que foi o último romance que publiquei em vida (1888). Depois deste, só tive tempo, em vida, de publicar A Ilustre Casa de Ramires (1897). A Cidade e as Serras é já obra póstuma (publicada depois da minha morte), bem como A Tragédia da Rua das Flores.

        - Podem, no meu percurso literário (como gostam agora de lhe chamar...modernices!), ser identificadas digamos que três fases diferentes:

- A primeira fase (pré-realista), é marcada por ter recorrido ao fantástico/fantasmagórico de uma forma um tanto ou quanto insistente. Prosas Bárbaras é a obra que, essencialmente, demonstra esta ideia.

 - A minha segunda fase como escritor (realista) é delineada pelos padrões naturalistas. Nesta fase da minha vida, a principal preocupação que tive foi pintar o real tal como ele é: sem adornos, sem exageros, sem romantismos, denunciando impiedosamente a sociedade daquela altura, sem me preocupar, obviamente que de propósito, em esconder a podridão da mesma. Por detrás de cortinas de seda, alicerces podres, que quis revelar ao mundo.

 - A terceira fase é, digo-o agora, reconhecendo o (na altura) inadmitível engano, um acordar para a realidade. Percebi, finalmente, a inutilidade da cruzada que desencadeei na segunda fase, e olhei, então, para os meus próprios defeitos, com um certo quê de cumplicidade, deixando o meu tom de denúncia dos males da sociedade e sem regressar ao fantástico, libertando-me da disciplina da escola.

Deixo-vos, por agora, com toda esta informação para processarem!

Podem encontrar tudo isto em: Lyon de Castro, Francisco (editor); Eça de Queiroz – Os Maias; Apontamentos Europa-América; 1989; Publicações Europa-América.

Boas leituras!
 
 
Por José Maria Eça de Queiroz às 10:13
Link do post | Comenta! | Adicionar aos favoritos

Sobre a minha pessoa


Perfil

Amigos?!

. 1 seguidor

Pesquisar neste blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Obras Primas Recentes

Poema - por Ímpeto

Regresso, uma vez mais...

Maria Eduarda e Carlos da...

Correio Electrónico @ II

Um tesourinho!

Totalmente Exausto...

Sangue n'Os Maias!

Produções Literárias apre...

Os Maias: por dentro da o...

Os Maias (para principian...

Arquivos Bolorentos

Março 2007

Fevereiro 2007

Etiquetas

todas as tags

Links

blogs SAPO

subscrever feeds