Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

Os Maias: por dentro da obra

Saúdo-vos de novo, caros leitores!

Venho falar-vos, mais uma vez, da obra que dá nome a este blog: Os Maias. Agora, aprofundarei mais um pouco o tema, entrando pelos detalhes e outros pormenores que ache relevantes nesta minha obra.

O enredo passa-se essencialmente em Lisboa e, dentro dela, muito ao contrário do que agora acontece, as personagens da minha obra andam frequentemente a pé. Por exemplo, Carlos da Maia, que mora na Rua das Janelas Verdes, caminha frequentemente até ao Rossio.

Algumas lojas que decidi incluir na história de Os Maias ainda existem, como é o caso da Casa Havaneza, no Chiado. É possível seguir os percursos de Carlos da Maia e João da Ega pelas ruas da Baixa Lisboeta, ainda que algumas delas tenham mudado de nome.

Passarei agora às personagens que considero mais relevantes:

Afonso da Maia: Filho de Caetano da Maia, foi desterrado pelo pai, coitado, por ser um jacobino, para a Quinta de Santa Olávia. Meses depois, Afonso, já quase desesperado, decidiu pedir a benção ao pai, assim como algum dinheiro, para poder dirigir-se a Inglaterra. Durante a sua estadia, o seu velho pai acabou por falecer.
Regressou a Lisboa, onde conheceu D. Maria Eduarda Runa, com quem acabou por casar. Desta belíssima união que me ocorreu, nasceu Pedro.

Desenhei Afonso da Maia um homem baixo, maciço, de ombros quadrados e fortes, cara larga, o nariz aquilino e pele corada. Os seus cabelos brancos, imaginei-os muito curtos e uma barba comprida, igualmente branca. Afonso era realmente uma pessoa simpática, generosa... Foi, confesso, a personagem que mais valorizei em todo o romance!

Decidi oferecer-lhe um gato, de nome Reverendo Bonifácio (e que nome!), que gostava de enroscar-se aos seus pés, ouvindo as suas dissertações sobre o país (um pouco da minha opinão, no fundo...).

Maria Eduarda Runa é, como já referi, mulher de Afonso da Maia. Criei-a doente, fraca e muito religiosa, insistindo em dar uma educação típica portuguesa ao seu filho, Pedro, contrariando o seu marido.

Pedro da Maia, filho de Afonso da Maia e de Maria Eduarda Runa, tem uma educação típicamente portuguesa, tal como a sua mãe desejava. Acabei por torná-lo um homem frágil e melancólico, psicologicamente, tendo crises emocionais de quando em vez. Físicamente, imaginei-o pequeno, com uns belos olhos. Francamente, marquei bastante esta personagem, revoltado (eu próprio) com a sua educação retrógada.

Maria Monforte...fi-la dominadora; uma mulher de cabelos loiros, extremamente bela. Desenhei-a bastante excêntrica e excessiva, moralmente fraca.

Carlos da Maia, um amante da ciência e das mulheres! A personagem principal desta minha obra, que acaba por ficar entregue ao avô, Afonso da Maia. É educado à maneira inglesa, como Afonso teria querido para seu filho (vá lá, decidi fazer-lhe a vontade!).

Decidi "formá-lo" então em Medicina, em Coimbra, sendo muito popular entre os seus colegas. Acaba por montar um consultório e um laboratório, onde trabalha por prazer.
Fisicamente, imaginei-o belo, alto, bem constituído, de ombros largos, olhos negros, pele branca, cabelos negros e ondulados e barba fina, castanha escura, pequena e aguçada no queixo. Fiz-lhe um bigode arqueado nos cantos da boca! Psicologicamente, um rapaz culto, bem-educado, de gostos requintados, corajoso e frontal e generoso, tal como o avô.

Maria Eduarda: fi-la realmente uma bela mulher! Alta, loira, bem feita, sensual e delicada e, citando-me a mim próprio “com um passo soberano de deusa”. Na minha obra, nunca critiquei Maria Eduarda...queria fazê-la perfeita, apenas contrastando-a com outras mulheres da história!

João da Ega, mais uma pacata personagem! Com um monóculo, nariz adunco, pescoço esganiçado e pernas de cegonha, como eu próprio o descrevo na obra. Fi-lo, por um lado, romântico e sentimental, por outro, progressista e crítico. Boémio, excêntrico, exagerado...quase anarquista sem Deus nem moral! É verdade: olho para ele e vejo-me a mim...imaginei-o, propositadamente, um retrato meu!

Oh, que magnífico é relembrar os bons velhos tempos de escrita! O quanto me diverti criando Os Maias...e o quanto ansiei pela sua publicação!
Esperando que sintam o mesmo prazer a lê-lo como o que sento ao escrevê-lo, despeço-me por agora, caros leitores!

P.S. – Encontrei um site realmente completo sobre o que acabei de referir agora, que acho que será do vosso interessa, sendo ele: http://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Maias

Por José Maria Eça de Queiroz às 20:16
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2 comentários:
De Inês a 25 de Fevereiro de 2007 às 15:59
Bem, este post, realmente ajudou-me!
Que trabalheira!
Parabéns!
De leandro a 28 de Março de 2009 às 01:04
em que genero textual ela pode ser classificada

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