Sábado, 17 de Fevereiro de 2007

Os Maias (para principiantes)

Olá caros leitores, admiradores da minha pessoa e obra!

Venho, hoje, falar-vos um pouco da obra que me propus a tratar nos próximos tempos, que foi, de entre as obras que escrevi, a que me deu mais que fazer e, por essa mesma razão, foi a que me trouxe mais alegrias.

Sim, acertaram, é a’Os Maias que me refiro. Pretendo deixar-vos um uma noção mais real do que é o enredo, e, mais interessante ainda, pretendo também mostrar-vos também “os bastidores” da obra: que aspectos pretendi salientar a determinado momento, que detalhes, do ponto de vista literário, é aconselhado reter na memória.


Para que consiga explicar-vos em pleno o teor d’Os Maias e para que possamos, quase em pé de igualdade, discutir esta obra que me é tão querida, devo primeiro situá-la na minha carreira literária.


Os Maias situam-se na segunda fase da minha carreira literária, a par com O Crime do Padre Amaro e O Primo Basílio. Pode também dizer-se que Os Maias são o “romance charneira” entre as duas últimas fases do meu percurso literário.

Os Maias anuncia, de certa maneira, a mudança que iria ocorrer na sociedade em geral, sendo que Carlos da Maia (falaremos mais à frente sobre ele) pertençe à geração de 70, aquela que é incumbida de “libertar a sociedade dos males da vida romântica, mas que se revela igualmente afectada por aquilo que denunciara”.

Antes d’Os Maias, planeei escrever uma série de 12 romances que teria um título como Cenas Portuguesas ou Cenas da Vida Portuguesa. Era minha intenção que este conjunto formasse um “quadro geral da vida em Portugal”, orientando-se por duas linhas de força fundamentais: uma porção dessas novelas trataria os “costumes gerais da nossa sociedade”, enquanto que as restantes dedicar-se-iam ao “estudo de alguma paixão ou drama excepcional”.

Com efeito, exprimi este meu desejo na carta que escrevi, a 3 de Novembro de 1877, a Chardon, contando-lhe as minhas intenções para futuras obras.

Os Maias são um pouco o sintetizar daquele grandioso projecto que nunca cheguei a concretizar. Ao analisar a obra devidamente, verifica-se que constitui um óptimo retrato da sociedade da época e, como não podia deixar de ser, o tal “drama excepcional” do qual falei a Chardon implícito na relação incestuosa de Carlos com Maria Eduarda (falaremos mais tarde sobre estes dois personagens).


E assim me despeço, pedindo que assimilem rapidamente toda esta informação (à qual podem facilmente ter acesso, em: Lyon de Castro, Francisco (editor); Eça de Queiroz – Os Maias; Apontamentos Europa-América; 1989; Publicações Europa-América) para que possamos, mais tarde, avançar para a obra propriamente dita!

Boas leituras!
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Por José Maria Eça de Queiroz às 20:52
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