Sábado, 3 de Março de 2007

Poema - por Ímpeto

Parece que este é o nosso último post... Altura em que relembramos o quanto nos divertimos a criar este blog, mas também o stress e as dores de cabeça que nos chegou a dar!

Con tudo isto, aprendemos muito sobre o nosso caro José Maria Eça de Queiroz e Os Maias... É de facto surpreendente que ainda hoje, mais de cem anos corridos sobre a sua morte, não seja possível pensar Portugal sem nos lembrarmos do Conselheiro Acácio, João da Ega ou do Padre Amaro. É, no fundo, esta intemporaridade da escrita de Eça de Queiroz que mais profundamente o caracteriza. Isso e o seu conhecimento desta nossa alma lusa, as nossas grandezas e fraquezas, de tal forma que certas frases, tiques e personagens são por nós vistos (e recordados) todos os dias.


Para assinalar o fim deste blog, decidimos fazer um poema tendo em vista a nossa participação neste concurso, em todas as suas vertentes.
Aqui vai, então!

Uma jornada de perigos,

Mágoas e dores,

Porém, também

Formas de amores.

 

Todos cinco, os Ímpeto,

Cheios de riso e cansaço

(E, também, um pouco de embaraço)

O desafio aceitámos:

Com tanta garra e glória,

Chegaremos à vitória!

 

Eça de Queiroz, o escolhido,

E seus filhinhos, os Maias,

Passearam, incessantes,

Ao longo de tão lindas praias.

Estas – as da imaginação,

Que entre aulas e estudo,

Lazer, amigos e televisão,

Deus nos valha se, acaso,

Nos faltar inspiração!

 

Originalidade;

Saber fazer;

Estar à altura,

Um passo à frente de nós mesmos;

Mesmo quando o sol não dura,

Ainda que a vida seja dura.

 

Dia após dia, hora a hora,

O stress a aumentar:

Vamos lá, no fim de contas,

Faltam agora menos minutos

Para a semana acabar!

 

“‘O formato não é suportado;

Tente de novo mais tarde;

Excedeu o tamanho limite!”

Foram alguns dos imprevistos,

Que (mesmo para quem acredite

em mérito e persistência)

Nos arruinaram a paciência.

 

“Bea, vem pôr a mesa,

O jantar está a arrefecer!”

“Já desço, mãezinha,

Que a pergunta vai sair

E ainda tenho que responder!”

 

“O meu pai já está a chamar

E diz que isto tem que acabar

De deitar a estas horas

Quando tenho que estudar!”

 

Com a mãozinha de Eça,

Entenda-se, não literal,

Fizemos, deste blog,

Uma obra capital!

 

Esperamos, concerteza,

Que todo o esforço e dedicação,

Sejam, pois, recompensados

Com a desejada menção!

Por: Ímpeto

 

Etiquetas:
Por José Maria Eça de Queiroz às 22:20
Link do post | Comenta! | Comentários (1) | Adicionar aos favoritos

Regresso, uma vez mais...

Caros leitores, fiéis súbditos da minha pessoa
 
É tempo de regressar a onde pertenço, de partir de novo.
Finda a minha missão, esta de vos transmitir o meu conhecimento convosco, amantes da literatura, e dar-vos oportunidade de partilhar cultura com alguém intelectualmente superior! (risos)
Assim, despeço-me, com cordiais saudações e votos de boas leituras, torcendo para que leiam cada vez mais e melhor, e agradecendo-vos por tão prazenteira estadia na terra, uma vez mais!
Etiquetas:
Por José Maria Eça de Queiroz às 22:19
Link do post | Comenta! | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 2 de Março de 2007

Maria Eduarda e Carlos da Maia: um teatro de fantoches!

Saúdo-vos de novo, caros leitores cibernáuticos!

Trago-vos desta vez, um verdadeiro achado: um excerto d'Os Maias, transformado em teatro de fantoches! As coisas que imaginam para enaltecer a minha, já de si magnífica, obra!

Uma cena de ternura entre Carlos da Maia e Maria Eduarda, definitivamente a não perder!

Despeço-me e desejo-vos bons "visionamentos", como costumo dizer!

Por José Maria Eça de Queiroz às 21:05
Link do post | Comenta! | Adicionar aos favoritos

Correio Electrónico @ II

Caros e assíduos leitores:

Com toda esta trabalheira, tenho-me esquecido de publicar a resposta ao e-mail da Matilde... Aqui vai!

NOTA- Consultar post "Correio Electrónico @", datado de 13.Fevereiro.2007

"Lisboa, 4 de Março de 2007


Cara Matilde

 

Em primeiro lugar, e antes de mais, deixa que te agradeça pelo teu tão tocante e-mail!
Não incomodas nada, muito pelo contrário: é sempre um prazer saber que cada vez mais jovens leêm, e ainda mais quando se trata das nossas próprias obras!

Deixa também que te felicite: do pouco que escreveste, consegui apurar que és uma rapariga com talento! Não o desperdices, amiguinha!


Referiste no teu e-mail, entre outros aspectos, a extensão (quase) absurda da obra...É assim mesmo, Matilde, quando me ponho a escrever, ninguém me pára! Claro que tenho que concordar contigo (e até confessar que me deixei entusiasmar demais!). Admito que a obra possa não ser muito acessível a um público muito gera... É preciso, de facto (e é essa uma das principais lacunas nas minhas obras), ter alguma instrução e, cá está, o bichinho da leitura para se aventurar numa obra deste tipo e entendê-la (quase) na íntegra.


Apontaste também a longa descrição d’O Ramalhete, logo nas primeiras páginas e, indirectamente, o porquê de tal começo para o livro, quando poderia, como tu própria (e muito bem!) disseste, ter escolhido um episódio, digamos assim, mais excitante e empolgante... A resposta, nem eu a sei! Calhou que fosse assim, minha querida, flutuou do meu cérebro directamente para o papel. E ficou, após algumas (poucas) modificações.

 

Chegámos ao cerne da questão, e devo, sinceramente, saúdar-te: poucos seriam capazes de, na tua idade, chegar a tão brilhante (e óbvia, ao mesmo tempo!) conclusão... É verdade, cara Matilde, quando escrevi Os Maias, tentei retratar o mais fielmente possível a sociedade de minha altura, recorrendo, para tal, aos meus personagens, e às características que lhes atribuí. Os Maias é uma obra em que criei, ainda mais importante que o espaço físico, um forte espaço social, em que “desfilam” imensas fihguras que caracterizam a sociedade lisboeta, mais precisamente, a elite, burgesia e alta aristocracia decadentes e corruptas. Tudo isto se desenrola, practicamente, até ao fim da obra, e fiz esta crítica tomar proporções gigantes em episódios muito conhecidos, como o jantar no Hotel Central (onde o leitor fica a par das limitações da mentalidade de elite lisboeta); as corridas de cavalos (onde é dada a perceber a mentalidade provinciana); o jantar nos Gouvarinhos (onde fiz que se criticasse a mediocridade e superficialidade dos dirigentes [governo]); o episódio do jornal “A Tarde” (onde desmascarei a incompetência, o parcialismo e o clientelismo dos jornalistas da minha altura) e, entre outros, o passeio final de Carlos e Ega em Lisboa, que traduz a degradação progressiva (irremediável!) da sociedade portuguesa, para a qual não se prevê nenhuma saída.

 

Entende, pequena, não é que a sociedade não tenha evoluído desde lá até agora! Não imaginas como te enganas ao sugerir tal coisa... na minha época não tínhamos metade do que vocês têm! A sociedade desenvolveu-se, sim, a nível científico e tecnológico, da educação e saúde,  mas os problemas que aponto na obra continuam (e, pelos vistos, continuarão sempre) presentes, pois os indicadores, chamemos-lhes assim, que usei são muito intemporais.

 

Espero que te tenha esclarecido, Matilde, e obrigada pelo teu e-mail!

 

Cumprimentos

 

José Maria Eça de Queiroz"

P.S- Toda esta informação está disponível em: Lyon de Castro, Francisco (editor); Eça de Queiroz – Os Maias; Apontamentos Europa-América; 1989; Publicações Europa-América.

 

Etiquetas:
Por José Maria Eça de Queiroz às 20:42
Link do post | Comenta! | Adicionar aos favoritos

Um tesourinho!

Saudações, caros leitores!

Venho, desta vez, mostrar-vos algo que encontrei, enquanto explorava este novo mundo cibernáutico de que tanto gostam: um anúncio a uma edição especial e limitada da obra que serve de propósito a este blog, Os Maias! Parece que publicaram Os Maias com rascunhos e notas da minha pessoa!

Calculo que esta edição tão especial da minha obra tenha esgotado imediatamente...Afinal, quem não quereria possuir Os Maias recheados que notas e rascunhos do seu magnífico autor?

Despeço-me então, meus caros, e, como geralmente digo, bons "visionamentos"!

 
P.S- Também podem aceder a este vídeo a partir de http://135698944.slide.com/p/3/Um+magnfico+escritor...
Por José Maria Eça de Queiroz às 20:33
Link do post | Comenta! | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 1 de Março de 2007

Totalmente Exausto...

Meus caros leitores e fãs incondicionais da minha pessoa, hoje encontro-me num nível de exaustão e saturação total, não tendo qualquer tipo de paciência para vos relatar as minhas novas e aguardadas experiências, deixando isso para outro dia.

Boas leituras, com o vosso escritor favorito, que vos manda calorosas saudações, apesar deste estado lastimoso, que eu espero ultrapassar em breve.

Por José Maria Eça de Queiroz às 20:59
Link do post | Comenta! | Adicionar aos favoritos

Sangue n'Os Maias!

Olá dedicados cibernautas, famintos de informação e de conhecimento!

Venho hoje deliciar-vos com um vídeo que encontrei, acidentalmente, nas minhas andanças e navegações neste centro social das internetes.

É, pois, um facto que a RTP1 emitiu já, há uns poucos de anos, uma mini série inspirada na minha obra-prima (uma das muitas!) e de nome "Os Maias"!
Sendo assim, e uma vez que achei o trecho extremamente apelativo e, quiçá, um pouco chocante, deixo-vos por agora, com promessas de rápido retorno e votos de bons "visionamentos"!

P.S- Também podem aceder a este vídeo a partir de http://www.youtube.com/watch?v=pPG3818z0Z0 !

Etiquetas: ,
Por José Maria Eça de Queiroz às 17:30
Link do post | Comenta! | Adicionar aos favoritos
Domingo, 25 de Fevereiro de 2007

Produções Literárias apresenta...Os Maias!

Saudosos vivas, meus caros assíduos leitores cibernéticos!
 
Venho, desta vez, através deste blog rico em conteúdos sobre a minha pessoa e obra (sobre quem mais poderia ser?), dar-vos a conhecer uma reportagem que, após árduas tardes nos arquivos bolorentos da minha biblioteca particular, encontrei, entre pilhas de revistas referentes à sétima arte, sobre as gravações da adapatação desta obra que me é tão querida (Os Maias) ao grande ecrã.
 
Boas leituras! Aqui fica a reportagem em questão:
 
«No passado dia 23 de Fevereiro, depois de ver, entusiasmada, a entrevista mirabolante ao nosso escritor favorito, Eça de Queiróz, peguei no livro d’ Os Maias e fui até ao local das gravações dofilme Os Maias, adaptação cinematográfica do livro de mesmo nome, de Eça de Queiroz.

Enquanto lá estive (sobre as constantes observações deste nosso carismático autor, feito, neste projecto, realizador) pude, com efeito, observar o trabalho árduo dos talentosos actores que tentam alcançar as várias exigências deste nosso realizador.

Observei cenas como a recriação do suícidio de Pedro da Maia, do capítulo segundo, e as várias cenas da formação de Carlos da Maia, a decorrer entre mais que um capítulo, estudante recém-formado de medicina.

Ao longo deste dia, foram bastantes as peripécias no local de filmagens, quebrando um pouco o gelo e dando àquele agradável ambiente um toque de actualidade.

 Fiquei maravilhada com esta vertente do mundo do espectáculo, e espero sinceramente ter oportunidade para lá voltar, de modo a que vos possa continuar a narrar todos os minutos da vida nos bastidores desta nobre produção cinematográfica, única e exsclusiva, com o carimbo nacional.»
Etiquetas: ,
Por José Maria Eça de Queiroz às 21:51
Link do post | Comenta! | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

Os Maias: por dentro da obra

Saúdo-vos de novo, caros leitores!

Venho falar-vos, mais uma vez, da obra que dá nome a este blog: Os Maias. Agora, aprofundarei mais um pouco o tema, entrando pelos detalhes e outros pormenores que ache relevantes nesta minha obra.

O enredo passa-se essencialmente em Lisboa e, dentro dela, muito ao contrário do que agora acontece, as personagens da minha obra andam frequentemente a pé. Por exemplo, Carlos da Maia, que mora na Rua das Janelas Verdes, caminha frequentemente até ao Rossio.

Algumas lojas que decidi incluir na história de Os Maias ainda existem, como é o caso da Casa Havaneza, no Chiado. É possível seguir os percursos de Carlos da Maia e João da Ega pelas ruas da Baixa Lisboeta, ainda que algumas delas tenham mudado de nome.

Passarei agora às personagens que considero mais relevantes:

Afonso da Maia: Filho de Caetano da Maia, foi desterrado pelo pai, coitado, por ser um jacobino, para a Quinta de Santa Olávia. Meses depois, Afonso, já quase desesperado, decidiu pedir a benção ao pai, assim como algum dinheiro, para poder dirigir-se a Inglaterra. Durante a sua estadia, o seu velho pai acabou por falecer.
Regressou a Lisboa, onde conheceu D. Maria Eduarda Runa, com quem acabou por casar. Desta belíssima união que me ocorreu, nasceu Pedro.

Desenhei Afonso da Maia um homem baixo, maciço, de ombros quadrados e fortes, cara larga, o nariz aquilino e pele corada. Os seus cabelos brancos, imaginei-os muito curtos e uma barba comprida, igualmente branca. Afonso era realmente uma pessoa simpática, generosa... Foi, confesso, a personagem que mais valorizei em todo o romance!

Decidi oferecer-lhe um gato, de nome Reverendo Bonifácio (e que nome!), que gostava de enroscar-se aos seus pés, ouvindo as suas dissertações sobre o país (um pouco da minha opinão, no fundo...).

Maria Eduarda Runa é, como já referi, mulher de Afonso da Maia. Criei-a doente, fraca e muito religiosa, insistindo em dar uma educação típica portuguesa ao seu filho, Pedro, contrariando o seu marido.

Pedro da Maia, filho de Afonso da Maia e de Maria Eduarda Runa, tem uma educação típicamente portuguesa, tal como a sua mãe desejava. Acabei por torná-lo um homem frágil e melancólico, psicologicamente, tendo crises emocionais de quando em vez. Físicamente, imaginei-o pequeno, com uns belos olhos. Francamente, marquei bastante esta personagem, revoltado (eu próprio) com a sua educação retrógada.

Maria Monforte...fi-la dominadora; uma mulher de cabelos loiros, extremamente bela. Desenhei-a bastante excêntrica e excessiva, moralmente fraca.

Carlos da Maia, um amante da ciência e das mulheres! A personagem principal desta minha obra, que acaba por ficar entregue ao avô, Afonso da Maia. É educado à maneira inglesa, como Afonso teria querido para seu filho (vá lá, decidi fazer-lhe a vontade!).

Decidi "formá-lo" então em Medicina, em Coimbra, sendo muito popular entre os seus colegas. Acaba por montar um consultório e um laboratório, onde trabalha por prazer.
Fisicamente, imaginei-o belo, alto, bem constituído, de ombros largos, olhos negros, pele branca, cabelos negros e ondulados e barba fina, castanha escura, pequena e aguçada no queixo. Fiz-lhe um bigode arqueado nos cantos da boca! Psicologicamente, um rapaz culto, bem-educado, de gostos requintados, corajoso e frontal e generoso, tal como o avô.

Maria Eduarda: fi-la realmente uma bela mulher! Alta, loira, bem feita, sensual e delicada e, citando-me a mim próprio “com um passo soberano de deusa”. Na minha obra, nunca critiquei Maria Eduarda...queria fazê-la perfeita, apenas contrastando-a com outras mulheres da história!

João da Ega, mais uma pacata personagem! Com um monóculo, nariz adunco, pescoço esganiçado e pernas de cegonha, como eu próprio o descrevo na obra. Fi-lo, por um lado, romântico e sentimental, por outro, progressista e crítico. Boémio, excêntrico, exagerado...quase anarquista sem Deus nem moral! É verdade: olho para ele e vejo-me a mim...imaginei-o, propositadamente, um retrato meu!

Oh, que magnífico é relembrar os bons velhos tempos de escrita! O quanto me diverti criando Os Maias...e o quanto ansiei pela sua publicação!
Esperando que sintam o mesmo prazer a lê-lo como o que sento ao escrevê-lo, despeço-me por agora, caros leitores!

P.S. – Encontrei um site realmente completo sobre o que acabei de referir agora, que acho que será do vosso interessa, sendo ele: http://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Maias

Por José Maria Eça de Queiroz às 20:16
Link do post | Comenta! | Comentários (2) | Adicionar aos favoritos
Sábado, 17 de Fevereiro de 2007

Os Maias (para principiantes)

Olá caros leitores, admiradores da minha pessoa e obra!

Venho, hoje, falar-vos um pouco da obra que me propus a tratar nos próximos tempos, que foi, de entre as obras que escrevi, a que me deu mais que fazer e, por essa mesma razão, foi a que me trouxe mais alegrias.

Sim, acertaram, é a’Os Maias que me refiro. Pretendo deixar-vos um uma noção mais real do que é o enredo, e, mais interessante ainda, pretendo também mostrar-vos também “os bastidores” da obra: que aspectos pretendi salientar a determinado momento, que detalhes, do ponto de vista literário, é aconselhado reter na memória.


Para que consiga explicar-vos em pleno o teor d’Os Maias e para que possamos, quase em pé de igualdade, discutir esta obra que me é tão querida, devo primeiro situá-la na minha carreira literária.


Os Maias situam-se na segunda fase da minha carreira literária, a par com O Crime do Padre Amaro e O Primo Basílio. Pode também dizer-se que Os Maias são o “romance charneira” entre as duas últimas fases do meu percurso literário.

Os Maias anuncia, de certa maneira, a mudança que iria ocorrer na sociedade em geral, sendo que Carlos da Maia (falaremos mais à frente sobre ele) pertençe à geração de 70, aquela que é incumbida de “libertar a sociedade dos males da vida romântica, mas que se revela igualmente afectada por aquilo que denunciara”.

Antes d’Os Maias, planeei escrever uma série de 12 romances que teria um título como Cenas Portuguesas ou Cenas da Vida Portuguesa. Era minha intenção que este conjunto formasse um “quadro geral da vida em Portugal”, orientando-se por duas linhas de força fundamentais: uma porção dessas novelas trataria os “costumes gerais da nossa sociedade”, enquanto que as restantes dedicar-se-iam ao “estudo de alguma paixão ou drama excepcional”.

Com efeito, exprimi este meu desejo na carta que escrevi, a 3 de Novembro de 1877, a Chardon, contando-lhe as minhas intenções para futuras obras.

Os Maias são um pouco o sintetizar daquele grandioso projecto que nunca cheguei a concretizar. Ao analisar a obra devidamente, verifica-se que constitui um óptimo retrato da sociedade da época e, como não podia deixar de ser, o tal “drama excepcional” do qual falei a Chardon implícito na relação incestuosa de Carlos com Maria Eduarda (falaremos mais tarde sobre estes dois personagens).


E assim me despeço, pedindo que assimilem rapidamente toda esta informação (à qual podem facilmente ter acesso, em: Lyon de Castro, Francisco (editor); Eça de Queiroz – Os Maias; Apontamentos Europa-América; 1989; Publicações Europa-América) para que possamos, mais tarde, avançar para a obra propriamente dita!

Boas leituras!
Etiquetas: , ,
Por José Maria Eça de Queiroz às 20:52
Link do post | Comenta! | Adicionar aos favoritos

Noções Essenciais

Olá assíduos leitores, caros amantes da literatura!

O tempo urge, e tanto há que fazer! Começarei por recuar um pouco no tempo e analisar retroespectivamente todas as fases da minha carreira como escritor, para que possamos, então, “debater” o assunto Os Maias com a honra que merece. Para que consiga explicar-vos em pleno o teor d’Os Maias, há, pois, alguns conceitos/noções que terei que vos transmitir:

        - Todas as minhas obras podem ser, muito sinteticamente, divididas em dois grandes grupos: as que eu próprio publiquei, em vida, e as que vieram a ser publicadas após a minha morte. Os Maias situa-se no primeiro grupo, sendo que foi o último romance que publiquei em vida (1888). Depois deste, só tive tempo, em vida, de publicar A Ilustre Casa de Ramires (1897). A Cidade e as Serras é já obra póstuma (publicada depois da minha morte), bem como A Tragédia da Rua das Flores.

        - Podem, no meu percurso literário (como gostam agora de lhe chamar...modernices!), ser identificadas digamos que três fases diferentes:

- A primeira fase (pré-realista), é marcada por ter recorrido ao fantástico/fantasmagórico de uma forma um tanto ou quanto insistente. Prosas Bárbaras é a obra que, essencialmente, demonstra esta ideia.

 - A minha segunda fase como escritor (realista) é delineada pelos padrões naturalistas. Nesta fase da minha vida, a principal preocupação que tive foi pintar o real tal como ele é: sem adornos, sem exageros, sem romantismos, denunciando impiedosamente a sociedade daquela altura, sem me preocupar, obviamente que de propósito, em esconder a podridão da mesma. Por detrás de cortinas de seda, alicerces podres, que quis revelar ao mundo.

 - A terceira fase é, digo-o agora, reconhecendo o (na altura) inadmitível engano, um acordar para a realidade. Percebi, finalmente, a inutilidade da cruzada que desencadeei na segunda fase, e olhei, então, para os meus próprios defeitos, com um certo quê de cumplicidade, deixando o meu tom de denúncia dos males da sociedade e sem regressar ao fantástico, libertando-me da disciplina da escola.

Deixo-vos, por agora, com toda esta informação para processarem!

Podem encontrar tudo isto em: Lyon de Castro, Francisco (editor); Eça de Queiroz – Os Maias; Apontamentos Europa-América; 1989; Publicações Europa-América.

Boas leituras!
 
 
Por José Maria Eça de Queiroz às 10:13
Link do post | Comenta! | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Achado (quase) Arqueológico

Olá caros cibernautas, fãs incondicionais desta minha obra!

O assunto que vos trago hoje, prevejo, trar-vos-á um pouco mais de cultura e decerto, umas boas gargalhadas!

Estava a minha ilustre pessoa a ver um pouco de televisão (que saudades, do lado de lá não há nada destas coisas!) quando se depara com uma entrevista a mim mesmo, antiga, de quando regressei da viagem ao Egipto, Síria e Palestina!

Não pude deixar de lhe fazer umas modificaçõezinhas, com a ajuda de uns pequenos muito prestáveis, e, como devem já calcular, não resisti em mostrá-la aqui no blog, para que todos bebam um pouco mais de informação sobre este tema!

Houve, pois, uns pequenos imprevistos, pelos quais peço desde já desculpa: a qualidade do vídeo não é, de todo, a melhor, pois o tempo foi curto para aprender a manusear decentemente todos os programas requeridos (sabem como são estas coisas, no meu tempo nem computadores havia, e uma mente cansada demora mais tempo a aprender).

Assim, despeço-me por agora deixando-vos o vídeo, que tanto gozo me deu ao rever!

Bons "visionamentos"!
 

Entrevista Eça de Queiroz

Entrevista Eça de Queiroz
P.S- Aproveito e deixo-vos também algumas imagens das mesquitas referidas no excerto que a minha querida apresentadora citou, bem como o texto em sim.

Apreciem!

"(...)A mesquita parece um vulto profético, com todos os seus mistérios, no meio da cidade. Toda vestida de luz, o sol, o ar, não conseguem alumiá-la: fica sombria, como uma eterna tristeza no meio da claridade.
A pouca distância, resplandecem duas outras mesquitas, riscadas de vermelho, esbeltas, com os seus finos minaretes alegremente elevados no ar, que fazem lembrar aquelas gazelas, que, erguendo o pescoço alto, esguio, estão suspensas, escutando.(...)"



          Fig.1- A mesquita do Sultão Hassan, no Cairo, que data do século XIV. É esta mesquita que Eça descreve neste excerto.

Etiquetas: , ,
Por José Maria Eça de Queiroz às 18:06
Link do post | Comenta! | Comentários (3) | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007

Correio Electrónico @

Saudações, leitores cultos e sérios!

Nem sabem o que se passou! Estava eu a criar o meu e-mail (!) quando, de súbito e passados 5 segundos, recebo logo uma mensagem, que me deixou muito feliz! Eis que a deixo convosco, para, mais tarde, responder à doce rapariguita, que agora estou ocupado.

“Porto, 13 de Fevereiro de 2007

Caro Sr. Eça de Queiroz


O meu nome é Matilde e tenho 15 anos. Sou estudante do ensino secundário e resido no Porto. Gosto imenso de ler e sou bastante curiosa, e essas são duas das razões pelas quais lhe estou a escrever!


Peço desculpa se o estou a incomodar, até porque sei que este e-mail é um em  muitos dos que recebe diariamente, mas não pude deixar de aproveitar a oportunidade da sua passagem pela Terra para lhe apontar e lhe pedir algumas “explicações” relativas à sua obra Os Maias, que há relativamente pouco tempo me foi recomendada pela minha melhor amiga (que diz identificar-se imenso com Maria Eduarda, vá-se lá saber porquê...). Tanto me falou na obra que acabei por ir vasculhar as estantes dos meus pais e lá encontrei a dita publicação: quase 600 páginas, em letra miudinha(!), factor que, confesso, me desmotivou um bocadinho, num primeiro momento.


Cá me enchi de coragem e iniciei, então, a leitura da obra (leitura essa que ficou de parte, por uns poucos de dias, junto com a coragem, que se desvaneceu, de pronto, ao fim da 3ª página de descrição d’O Ramalhete...). Após semanas de desleixo, decidi regressar à leitura, tão sofrida numa primeira parte e ao mesmo tempo tão deliciosa à medida que se avança no enredo. Posso agora dizer-lhe que a sua obra é uma espetacular leitura de férias, e adoro o tom despreocupado que imprimiu nalguns personagens, como João da Ega (o meu favorito!). Gostava também de lhe dar os parabéns: é preciso ser muito bom para escrever algo assim, embora eu, se fosse a autora, não começasse o livro com uma descrição como a d’O Ramalhete, um pouco enfadonha (desculpe!) e longa, que não cativa muito o leitor mais desatento... Começá-lo-ia, pois, por uma cena que captasse toda a atenção de todo e qualquer leitor, desde o jovem de 13 anos ao velhote de 70, desde o primeiro momento, como, por exemplo, o suicídio de Pedro.
 
Mas deixemo-nos de dissertações!

Há, na sua obra, um aspecto que me deixou um pouco confusa e, até, pensativa, que foi o facto de conseguir, nesta enorme descrição da sociedade de época que são Os Maias, reconhecer traços da sociedade onde vivo!

 É verdade: ainda se pode encontrar, na sociedade actual, a maior parte das características que o senhor destaca nos seus “companheiros”, nomeadamente, uma certa limitação de horizontes ou tacanhez, ou seja, aquele tipo de pessoas que perante um determinado acontecimento/assunto não conseguem ter uma perspectiva esclarecia/adequada; um pouco de diletantismo, ainda (presente naquelas pessoas que se entregam à cultura/arte/estudo por puro prazer, mas que, no fundo, são inúteis à sociedade, em termos prácticos) e, como não podia deixar de ser, um certo embevecimento por tudo o que é estrangeiro e desprezo pelo “produto nacional”, e consequente mania de imitar o estrangeiro...

Continua a poder identificar-se tudo isto na sociedade de hoje, o que me faz pensar: será isto um “indicador” de que o nosso país não se desenvolveu lá muito desde o seu tempo até ao meu?

Cordiais cumprimentos*
 
Matilde Dias
 
P.S- Desculpe mais uma vez, foi mais forte que eu!”

Podem encontrar toda esta informação em: Lyon de Castro, Francisco (editor); Eça de Queiroz – Os Maias; Apontamentos Europa-América; 1989; Publicações Europa-América
Etiquetas:
Por José Maria Eça de Queiroz às 20:22
Link do post | Comenta! | Adicionar aos favoritos
Sábado, 10 de Fevereiro de 2007

Eça de Queiroz...Quem??

Permitam-me que me apresente.

O meu nome é José Maria Eça de Queiroz e fui, depois da minha morte, considerado o maior escritor realista do séc. XIX em Portugal. Nasci no dia 25 de Novembro de 1845, na Praço do Almada (Póvoa de Varzim). Sou filho de D. Carolina Augusta Pereira e meu pai foi o magistrado José Maria de Almeida Teixeira de Queiroz, porém fui registado como filho de mãe incógnita. Os meus pais só se casaram "no papel" tinha já eu quatro anos, de modo que até aos dez sempre vivi em Verdemilho, com os meus avós paternos.

Fig. 1 - Caricatura da minha pessoa.

 Fiz a escolaridade obrigatória no Colégio da Lapa, no Porto, e vim mais tarde a formar-me em direito na universidade de Coimbra. Diz-se que fui considerado líder de uma geração de intelectuais abertos a novas ideias estéticas e ideológicas, que se vieram então a projectar na chamada vida literária das décadas em que vivi (surgiram novas correntes literárias, como o realismo, o naturalismo...).

A minha experiência jornalística começou na Gazeta de Portugal, (grande vitória, para um rapazola como eu!), em que colaborei com folhetins, que mais tarde (1903) vieram a ser publicados em livro, com o título Prosas Bárbaras.

Outro dos aspectos que muito marcou a minha vida foi, sem dúvida alguma, a minha viagem ao Egipto, em 23 de Outubro de 1869, tinha eu 23 anos (lembro-me como se tivesse sido ontem...) para assistir à inauguração do Canal do Suez. Durante o tempo em que me encontrava na terra dos Faraós, anotei todas as minhas impressões e sentimentos em cadernos de viagem, de modo a poder vir a utilizar este material como inspiração ou tema para futuras obras.

 

 

Fig. 2 - O canal do Suez na época da inauguração, portanto, na época em que estive no Egipto.

Com efeito, esta viagem inspirou vários trabalhos meus, como O Mistério da Estrada de Sintra (1870) e, principalmente, A Relíquia (1887).

A altura em que produzi o fundamental da minha escrita pode situar-se temporalmente algures entre os meados das décadas de 70 e 80, altura em que apostei seriamente em romances naturalistas e realistas, como O Crime do Padre Amaro (com três versões muito diferentes, de 1875, 1876 e 1880), O Primo Basílio (1878), A Relíquia (1887) e Os Maias (1888), sendo este último o livro sobre o qual falarei, mais à frente.

Passada, assim, esta fase, comecei a criar obras que nada ou pouco têm a ver com o realismo/naturalismo: a novela O Mandarim (1880), A Cidade e as Serras (1901), entre outros.

Passei, posso agora afirmá-lo com toda a certeza, os anos mais produtivos da minha vida em Inglaterra, onde escrevi algumas das mais importantes obras, como A Tragédia da Rua das Flores, A Capital, Os Maias e O Mandarim. O meu último livro foi (feliz ou infelizmente, nem eu sei) A Ilustre Casa de Ramires.

Posteriormente, as minhas obras foram traduzidas para cerca de 20 línguas.

Como tudo o que é vivo, também eu tive o meu fim. Foi no dia 16 de Agosto de 1900, em Paris. Estava calor, as febres subiram. Estava já doente há uma série de meses, e o corpo, debilitado, deu de si. O meu corpo foi transladado para Portugal em Setembro do mesmo ano, e meu o funeral foi no cemitério do Alto de S. João, em Lisboa, onde ainda hoje descanso em paz.

Podes encontrar parte desta informação sobre mim em http://pt.wikipedia.org/wiki/E%C3%A7a_de_Queir%C3%B3s!

Boas leituras! 

Etiquetas: , ,
Por José Maria Eça de Queiroz às 12:27
Link do post | Comenta! | Comentários (5) | Adicionar aos favoritos

Já começou!

Olá caros leitores!

Somos o grupo Ímpeto e somos concorrentes do Sapo Challenge 2007. Participámos já na primeira fase e não pudémos deixar de querer concorrer também à segunda.

O nosso grupo é constituído pelos seguintes elementos: Ana Robalo (15 anos, gosta muito de ler romances e quer ser psicóloga), Beatriz Sales (15 anos, lê um pouco de tudo e adora escrever. Sonha vir a ser poetisa), Carlos Neves (14 anos, gosta de ler, sobretudo, romances históricos e quer ser um economista de sucesso), Filipe Santos (14 anos, gosta de livros de aventura mas a sua paixão é a vela) e Inês Neto dos Santos (14 anos, gosta de livros de fantasia e vai seguir Artes).

Estudamos, todos 5, no Colégio Vasco da Gama, em Meleças, Belas.

Fig.1 - O nosso Colégio.

 Finalmente decidimo-nos e criámos o nosso blog, cujo principal objectivo é, muito resumidamente, destacar os principais aspectos e factos associados à vida (biografia) e obra (bibliografia) de um dos grandes vultos da literatura portuguesa do séc. XIX, o célebre e reconhecido escritor Eça de Queiroz.

Também pretendemos mostrar aos jovens da nossa faixa etária que ler clássicos da literatura Portuguesa não tem de ser, invariavelmente, chato e aborrecido, havendo possibilidade (sem nunca esquecer o empenho e dedicação obviamente requeridos e, até, necessários para tal tarefa) de haver momentos engraçados e, até, divertidos.

Esperamos conseguir atingir os objectivos pretendidos e ser apurados ao próximo e último nível, mas, surpreendentemente e acima de todas as outras coisas, queremos que esta experiência nos enriqueça enquanto jovens da sociedade actual, que faça de todos nós pessoas mais cultas e cada vez com mais vontade de aprender!

Para tal, e como gostamos de inovar, decidimos que este blog seria construído na primeira pessoa, sendo que Eça de Queiroz estará, por um mês, entre nós, neste mesmo blog, contando-nos e relembrando aos mais esquecidos como foi a sua vida e os principais aspectos da sua obra.

Quem melhor que ele para nos ajudar?

Por José Maria Eça de Queiroz às 12:19
Link do post | Comenta! | Comentários (10) | Adicionar aos favoritos

Sobre a minha pessoa


Perfil

Amigos?!

. 1 seguidor

Pesquisar neste blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Obras Primas Recentes

Poema - por Ímpeto

Regresso, uma vez mais...

Maria Eduarda e Carlos da...

Correio Electrónico @ II

Um tesourinho!

Totalmente Exausto...

Sangue n'Os Maias!

Produções Literárias apre...

Os Maias: por dentro da o...

Os Maias (para principian...

Arquivos Bolorentos

Março 2007

Fevereiro 2007

Etiquetas

todas as tags

Links

blogs SAPO

subscrever feeds